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quinta-feira, março 18, 2010


A força do amor ( parte 5 )

Fred acordou com uma ressaca arrasadora, não tinha o costume de beber daquele jeito. Tentou reviver mentalmente sua noite, era tudo muito nebuloso, não conseguia distinguir direito a realidade. Foi ao banheiro, tomou um banho frio e depois bebeu café, puro. Aos poucos as imagens iam aparecendo em sua mente, mas foi só quando veio a imagem de Gabi que estremeceu, lembrou-se da briga, das mulheres bêbadas, dos seus amigos bêbados e de Edu... Não lembrava que Edu estava sóbrio, em sua cabeça seu amigo também tinha sido vítma na história, isso piorava tudo.
Pensou em ligar pra ela, ficou em dúvida se deveria ou não. Arriscou. Ela não atendeu, ligou de novo e nada. Deixaria pra depois.
Foi procurar Edu, mas não encontrou ele em casa. Ligou, e nada.
Começou a se sentir perdido, o arrependimento o consumia, sentiu vontade de chorar, segurou.
Prometeu pra si mesmo que não beberia de novo. Só causava problemas, como se ele sóbrio já não fosse problemático o suficiente...
Dormiu, na verdade desmaiou, sem sonhos, sem tristeza, sem dor.
Enquanto isso Edu, que acordou maravilhosamente bem, teve a idéia de chamar Gabi pra dar um passeio, iriam em um clube que ficava fora da cidade, no começo ela não queria, estava triste, inconsolável, mas depois de tanta insistência ela foi. Ele sabia que Fred tentaria ligar assim que acordasse, por isso propositalmente desligou o celular e fez Gabi deixar o dela em casa, dizendo que seria melhor assim, que precisavam de sossego.
Depois de muito tempo conseguiu faze-la rir, era um bom começo. Passaram o dia e a tarde lá, ele estava se aproveitando da fragilidade dela, normalmente era mais fechada, mas com os acontecimentos da noite anterior estava sensível, carente...
Quem olhasse de fora, e não soubesse de todo o contexto, pensaria que eram um casal de namorados, na verdade o próprio Edu estava começando a pensar assim, achava que ela estava se interessando por ele, estava mesmo doente.
Quando voltaram, encontraram Fred em frente a casa da avó de Gabi, onde estava passando as férias.
Ela estremeceu, o coração acelerou, borboletas no estômago, não, na verdade era um enxame de abelhas ferroando seu estômago sem parar, foi tudo tão rápido que não percebeu que lágrimas caiam em seu rosto, sua vontade era de sair correndo, mas nem conseguia se mexer.
Fred sentiu uma pontada no peito ao vê-la chorando,  era como se tivessem enfiado a ponta de uma faca em seu coração, não conseguiu dizer nada, precisava falar, mas estava paralisado.
Edu não sabia o que fazer, sua vontade era de mandar Fred embora, mas antes que pudesse agir...
- Eu já não disse que não queria ver você? O que está fazendo aqui? Será que eu não posso ter paz nem na casa de minha avó!??? - foi Gabi quem quebrou o silêncio, com palavras amargas e ao mesmo tempo doces demais. Dava pra sentir em sua voz o amor que sentia por ele, e seria difícil mudar isso.
- Eu não vou embora sem antes falar com você! Vai fazer o que? Me matar? Não, você vai me ouvir, e vai ser agora. Eu sei que é isso que você quer, ou vai esperar o arrependimento te consumir depois que você for embora? Eu não em esqueci disso, sei que você vai embora, e não vou deixar você ir sem antes saber o quanto eu te amo. É, isso mesmo que você ouviu, eu te amo! - Fred não pensou, simplesmente deixou escapar o que estava na sua garganta, palavras enroscadas, verdadeiras e repletas de amor.
Foi como um soco no estômago de Edu, não poderia acontecer aquilo, não daquele jeito, era tudo tão forte, tão verdadeiro, não seria capaz de impedir que ela o perdoasse, a raiva o consumia. Se os dois não estivessem tão perdidos em seus pensamentos teriam percebido o mal nos olhos dele, como seu rosto tinha ficado vermelho e como tinha saído de fininho... Não era burro, sabia que ficar ali não adiantaria nada, reconheceu sua insignificância depois daquelas palavras, arranjaria outro meio de separá-los. Foi para casa com a raiva inundando cada centímetro de seu corpo, aquilo não terminaria bem, não deixaria que isso acontecesse.
Passaram-se alguns minutos até que Gabi conseguisse pronunciar alguma coisa, ela pensou em cada palavra, refletiu, e por fim resolveu o que faria. Valeria a pena, para sentir aquele calor inundando seu gelado coração, valeria a pena. Mesmo que um dia ela pudesse se arrepender, ainda assim valeria a pena. Nada poderia ser mais gratificante do que mais uma semana amando e sendo amada, levaria aquilo para sempre...
- Você me ama? - foi só isso que conseguiu dizer.
- Muito mais do que eu deveria, mas do que eu um dia imaginei poder amar...
- O que te faz ter tanta certeza?
- O simples fato de não conseguir pensar em outra coisa, você está nos meus sonhos, na minha mente, sinto meu coração chamar por ti, e hoje, quando pensei que poderia não te ver mais, parecia que o mundo iria desabar, eu não sabia onde te encontrar, mas eu vim até aqui, senti que deveria fazer isso, você acredita em mim?
Ela conseguiu sorrir, um sorriso magnífico que iluminou seu rosto. Já não havia mais lágrimas, nem sinal de dor, foi como se jamais tivesse ficado magoada com ele...
- Acredito, porque você acabou de descrever o que sinto. Minha idéia era realmente não falar mais com você, eu conseguiria se não fosse isso que você falou, não posso simplesmente ignorar meu coração, não dá! Eu quero sim que você me explique o que eu vi ontem, sei que você vai me dizer a verdade, vou acreditar em você, vou viver, vou ser feliz o máximo que eu conseguir, e por favor, não me fale mais sobre o pouco tempo que temos, quero imaginar que isso será o meu "pra sempre", tudo bem?
- Sim, eu explicarei...
Então ele relatou tudo que lembrava da noite anterior, na verdade ele lembrava-se de tudo, a única coisa que não se lembrou foi que o amigo estava sóbrio, mas no momento isso não faria diferença, ele não estava ali, e os dois nem perceberam isso. Estavam interligados, numa frequência própria, e nada poderia abalar aquilo, não naquele momento.
Ela entendeu, viu que ele não tinha feito nada, mas não deixou de se achar com razão. Deu umas broncas que ele aceitou com um sorriso, por dentro. Ele gostava de ver que ela estava com ciumes.
Ficaram ali por muito tempo, anoiteceu, chegou a hora de entrar, se despediram com um beijo longo, caloroso, repleto de paixão.


Estava tudo perfeito de novo, enquanto isso a cabeça de Edu trabalhava... Iria arranjar outra intriga, e isso não seria difícil para ele.
18

terça-feira, março 16, 2010


Desentendimentos ( parte 4 )



A semana se passou, rápida e calma demais, sem grandes acontecimentos.
Gabi dividia seu tempo entre os amigos e seu novo amor, fazia isso muito bem levando em consideração o fator tempo. As horas pareciam minutos, tudo acontecia muito rápido, e quando percebia mais um dia se fora...
O "triângulo" conviveu bem, Edu estava sendo mais bonzinho que o normal, mas nem precisava de tanto, já tinha os dois em suas mãos.
Sábado, ele resolveu dar uma festa para "meninos" e convidou Fred. Seu primeiro planinho causador de intrigas. Na hora certa ligaria para Gabi.
Bebidas, música alta, garotos, baralho, farra...
Jogavam truco, depois partiram para o "vira", mas como a idéia principal era embebedar Fred, Edu não participaria dessa parte, ficaria como "juiz". Deu certo, em menos de uma hora todos os garotos estavam bêbados, menos o anfitrião, claro.
A idéia surgiria dele, mas o alcool estava fazendo tanto efeito nos hormônios dos garotos que um deles sugeriu:
- Edu, ligaê pras muié que a gente ta pro crime! hahahahaha - não faltavam risos em toda e qualquer coisa que diziam.
- Acho melhor não, cara... Sinto que isso não vai acabar bem! - rebateu Fred, quando sua consciência acusou, definitivamente estava caindo de amores por Gabi.
- Deixa de ser pau-mandado, só porque encontrou um amorzinho vai vacilar com os mano? E além do mais, ela vai embora daqui a uns dias, desencana! Vamos começar agora a farra de verdade! - disse outro dos garotos, indignado com o amigo.
- Eu não estou sendo nada disso! Por que eu respeito a garota que eu amo agora eu sou vacilão? Como vocês são legais...
- Ama? Em uma semana você já escolheu uma mulher pra casar? HAHAHAHAHAHA. Sai dessa Fred, você não era assim, o que ela andou te dando? Tá chapadão mesmo mano!
- Chega! Eu não dei uma festa pra vocês ficarem discutindo. Somos todos amigos, se ele não quer outra mulher, tem quem queira, afinal, estamos para o crime né rapaziada!? - Edu estava conseguindo o que queria, Fred nem precisaria trair ela, conhecia a amiga suficientemente bem pra saber que o simples fato de ter mulheres onde deveria ter apenas homens o incriminaria, deixaria tudo por conta dos outros, ainda sairia como vítma da história, quem iria provar o contrário?
- Eu liguei pra uma doida aí, ela vai trazer a "tropa", preparados!??? É hoje que a gente se diverte pra valer! - outro dos meninos já havia ligado, em breve Gabi seria "avisada"...
Algum tempo depois elas apareceram. Vulgarmente vestidas, era pra isso que elas serviam, diversão.
Enquanto sóbrios eles jamais ligariam para elas, mas quando se está bêbado qualquer coisa pode acontecer, Fred não viu malícia em ficar lá, afinal, ficaria com seu "amigo" sóbrio, que também não ia pegar ninguém, mas não sabia das estratégias...
Enquanto escapou por uns minutos de Fred, Edu ligou para Gabi, não iria fazer a denuncia assim por telefone, seria explícito demais, bastaria que ela ouvisse alguma voz de mulher, ela tiraria suas próprias conclusões. Dito e feito!
- Eduardo Rodrigues de Melo, que vozes são essas que eu estou ouvindo? - a voz era grave, nem parecia a Gabi...
- Vo-vo-zes? Que vozes? São os meninos! - gaguejar fazia parte da estratégia "engana-Gabi".
- Você por acaso acha que eu sou idiota? O que está acontecendo aí? Não vou perguntar duas vezes, e se você não responder vai sobrar pra você!
- Eu não queria dedurar os meninos assim, maninha... Mas me senti na obrigação de te ligar, fiquei sem coragem de dizer, ainda bem que você ouviu, eles chamaram mulheres, e eu não pude fazer nada! E agora, o que eu faço? Elas acabaram de chegar... - estava feito!
- Estou indo aí, AGORA! Me espere no portão!
E assim ele fez...
Antes deu uma espiada em Fred, estava próximo o suficiente de todos, visto de fora parecia fazer parte de tudo. Ainda não havia começado a "farra", estavam todos conversando, ou pelo menos chamavam aquilo de conversa... Muito alcool no sangue, só o que ouviam eram risos e asneiras, por sorte as mulheres eram suficientemente burras para entrarem no espírito da coisa, ainda tinha bebida, juntaram-se ao grupo.
Ela chegou rápido demais, estava realmente brava, olhou para Edu de uma forma tão brutal que se ele não fosse tão ruim teria ficado com medo, mas aquele olhar o agradava, por dentro estourava de satisfação, tinha conseguido!
Ela não era barraqueira, achava isso muito baixo para o seu perfil...
Chegou sorrateiramente, sentou-se ao lado de Fred e disse:
- Tudo muito calmo por aqui, não? Ainda bem que só tem GAROTOS!
- Gabi, como, onde, quando... É... Eu posso explicar, não tenho nada a ver com...
- Chega Frederico! Pra mim chega! Eu não me envolvi com você pra isso... Tudo bem, a gente não tem nada sério, eu entendo, mas depois de tudo que você me disse, como você pode fazer isso comigo? Acha que eu sou da laia dessas... dessas... 
- Não! Eu não estou fazendo nada! Elas apareceram aqui amor... E o que você veio fazer aqui? Não confia mesmo em mim?
- Amor? Apareceram? Claro, elas vieram da lâmpada mágica, não foi culpa sua. Confiar? Eu confiei, ainda bem que tenho um amigo de verdade, que se preocupou comigo apesar de não ter tido coragem suficiente para dedurar você! Enfim... Não interessa o que eu vim fazer aqui! E olha só, está caindo de bêbado, nem sabe o que está dizendo! Quer saber? Não me importo... Faça o que você quiser, só não me procure mais!
- Eu não queria causar isso, meu Deus, o que foi que eu fiz!? Eu só queria dar Boa Noite pra minha irmãzinha e olha só o que aconteceu! - a inocência das palavras de Edu era espantosa, ninguém que ouvisse teria dúvidas. Mas era tudo muito ensaiado, minuciosamente planejado. Uma cobra astuta, sim, ele era!
- Não foi culpa sua Du, pelo menos eu sei em quem posso confiar de verdade! - doce ilusão... Ela se arrependeria amargamente de ter dito isso.
Gabi saiu ainda mais rápido do que chegou, e deixou tudo muito abalado... Fred estava em estado de choque, o alcool agia, tudo parecia um sonho, talvez só no outro dia iria saber exatamente o que tinha acontecido, ou não... Os garotos não viram, nem ouviram nada, absortos em suas "conversas construtivas", só sabiam farrear.
Dez minutos depois, Fred estava dormindo, sentado, no mesmo lugar onde estava o tempo todo...
Os outros fizeram suas "festinhas particulares" e foram embora junto com as mulheres, já bêbadas.
Edu estava satisfeito. Sabia que o amigo não iria deixar as coisas assim, mas já era um bom começo, primeira briga feia, Gabi não aguentaria muito.
Naquela noite dormiu sorrindo, maleficamente sorrindo...



Para entender tudo, leia também (se ainda não leu)...


1- O começo
2- Reencontro
3- O vilão
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domingo, março 14, 2010


O vilão ( parte 3 )



Eduardo estava determinado a acabar com toda aquela alegria e paixão.
Irritado com tudo, havia perdido o amor de sua vida para outro. Não deixaria ele se safar. Seu amor por Gabi era intensamente devastador, antigo e doentio.
Como todo bom vilão, tinha duas faces. Uma era doce, amigável, calma e gentil. Dessa forma havia conquistado a amizade dela.
Sim, ele era seu melhor amigo há anos. Mas Gabi não conhecia  sua segunda face...
Egocêntrico, possessivo, dissimulado, frio e eterno apaixonado.
Por ela iria aos confins da Terra, não mediria esforços para vê-la feliz. Antes de vê-la com outro.
Ela jamais imaginaria que seu melhor amigo nutria por ela uma paixão secreta. Seu confidente.
Mas ele não podia ver que Fred era parte da felicidade dela, planejava tira-lo de seu caminho. Estava cego. E o pior de tudo: Edu e Fred eram se conheciam muito bem!
Seria fácil separar os dois, era de confiança, ou pelo menos seus amigos assim pensavam.
Começaria com pequenas intrigas, manipular eles seria divertido, não iriam nem notar.
Faria a cabeça de Fred sem comprometer sua amada, ela era mais importante. Faria ele se sentir insuficiente para ela. Afinal, sabia de todos os "podres" do "amigo".
Depois convenceria Gabi a deixá-lo, poderia fazer alguma insenação, afinal, tinha um amigo manipulável em mãos, ainda pensaria sobre o assunto com calma.
Não se pode duvidar de nada que venha de uma cabeça perigosamente obcecada. Quando o coração planeja maldades contra a felicidade dos outros é porque não existe amor.
O amor não deseja o mal, contenta-se com a felicidade, ou até mesmo com um simples sorriso verdadeiro.
E ele não se importava.
Ver os dois juntos despertou seu lado mais negro, e talvez esse lado jamais volte a "adormecer".
Fazia parte do plano que os dois confiassem cegamente nele, então começaria a agir. Aproximou-se do casal, no outro lado da rua, e substituiu a raiva por uma máscara de satisfação.
- Como é bom ver meus melhores amigos juntos, vejo que se conheceram muito bem naquela festa... Arrisco dizer que fazem o casal mais interessante que eu já vi! - disse convincentemente, tanto que até ele acreditaria se não fosse tão "treinado".
Gabi correu para abraçá-lo. Nutria por ele o amor mais puro e verdadeiro que poderia existir, eram irmãos de coração. - assim pensava - Logo depois do abraço deu um tapa que provocou risos de Fred.
- Da próxima vez que me deixar vermelha de novo eu te mato!
- Essa é minha "irmã"... Carinhosa como sempre! - disse Edu, sem deixar de rir. Achava que ela ficava ainda mais linda quando estava brava.
- Como você não me apresentou sua "irmã" antes Edu? Que amigo egoísta você é! -disse inocentemente Fred, não sabia que estava provocando mais ódio naquele coração sombrio, se soubesse...
- Sabe como é... Ela mora longe, quando vem a quero só pra mim. Mas parece que alguém andou me roubando ela, tudo bem, eu supero! - riu mais por dentro do que por fora, eles jamais imaginariam que não era brincadeira, ele iria superar quando a tivesse de volta, de acordo com seus planos.
Todos riram.
- Vamos entrar, que péssimo anfitrião estou sendo... - falou Edu, já abrindo o portão para os dois.
Gabi o interrompeu, segurou em seu braço e o beijou no rosto.
- Não posso, preciso ir... Passei só pra dizer um "oi" - olhou para o "amigo - Vou para casa com o Du, temos muito o que conversar - sorriu.
Ele retribuiu o olhar de cumplicidade e se despediu de Fred. Voltaram de mãos dadas, tinham esse costume. Isso fazia seu coração palpitar, claro, mas agora tinha ódio e desejo. Havia cansado de ser só amigo. Irmão? Não queria uma irmã, queria uma namorada.
Agiria com calma.
"Agora seguro a mão dela como irmão, mas logo terei ela como minha!" - Pensou ele.
A insenação não tinha sido fácil, mas viriam coisas piores...

 

Leia também...


1- O começo
2- Reencontro

13

sexta-feira, março 12, 2010


Reencontro ( parte 2 )



Quando se tratava de sentimentos, Gabi não se saía muito bem, no fundo ela tinha medo, e o medo a controlava, até aquele momento...
Ela tinha sido o centro das conversas entre seus amigos pelo simples fato de ter se envolvido tão depressa com Fred - esse é o nome dele.
Ela era conhecida por sua incrível capacidade de esnobar as pessoas. Evitava envolvimento, não gostava de ficar muito tempo com uma pessoa.
Sim, ela havia ficado o resto da noite ao lado dele, como se um imã a atraisse. Esse mesmo imã não deixava ela pensar em outra coisa. Cidade pequena, amigos em comum... Iria procurá-lo, não se perdoaria se ele fosse embora de sua vida tão depressa.
Haviam se passado apenas dois dias depois da festa que provavelmente mudou sua vida, ou pelo menos a maneira de encará-la. Ela sentia seu coração bater quente em seu peito, como nunca sentira antes. Costumava ser gelada, até demais.
Não se importou com os outros, nem sequer prestou atenção no que se passava ao seu redor, nada mais importava. Ela havia encontrado uma fonte de felicidade e só isso bastava.
Resolveu ir até a casa dele, talvez a coragem de tocar a campanhia surgisse do nada.
Surgiu, mas inesperadamente seu telefone tocou, no exato momento em que sua mão iria tocá-la, uma voz conhecida, ela não acreditava, era ele!
Sua vontade era de sair correndo, sumir! Não sabia o que fazer, como lidar com aquela euforia toda? Suas mãos suavam, aquele frio na barriga a incomodava, pareciam borboletas dançando em seu estômago...
- Gabi? -perguntou a voz do outro lado da linha.
- Sim, eu mesma. O que desejas senhor? -respondeu ela em meio a gargalhadas quase forçadas.
Essa era a verdadeira Gabi, não perdia uma! E não deixaria que ele percebesse seu nervosismo.
- Se eu disser que desejo você, o que você me diria? -Ele queria entrar em seu jogo a qualquer custo, mas falou com medo de ser mal interpretado. Em seguida complementou. - Estou com saudades...
- Eu não estou em listas de desejos, me desculpe. - mais gargalhadas - Mas a gente pode negociar a parte da saudade, você está em casa? -mal conseguiu perguntar, sua garganta estava seca, a voz saiu vacilante.
Era tudo o que ele queria... Uma pista! Ela estava na mesma sintonia que ele, era sua chance, não a desperdiçaria por nada nesse mundo.
- Sim, estou. Vai vir me ver?
- Então abra logo esse portão, que eu não vou esperar mais nenhum segundo aqui do lado de fora! -sua voz saiu doce demais, suplicante demais. Ela pretendia ser autoritária, mas não dessa vez...
Ele não pensou, correu e abriu o portão, poderia ser um sonho, mas ela estava lá. Parecia uma boneca com seu vestidinho florido que se encaixava perfeitamente em seu corpo. Isso o fez arrepiar, ela era irresistível.
Nem pensou em como ela teria chegado lá, ou quanto tempo estaria na frente de sua casa, simplesmente a puxou para si e a beijou. Beijo intenso, apaixonado...
Por um segundo teve dificuldades em se lembrar de como era respirar. Ela afetava ele de uma forma que nem saberia explicar.
Paixão, férias, verão, tempo, distância, rotina...
Não pensavam em nada, só em ficar juntos, nem se lembraram que as férias iriam durar mais duas semanas, apenas. Nem na distância, na verdade não conseguiam pensar em muitas coisas quando se viam. Seus corpos involuntariamente se atraiam, como se tivessem sido feitos um para o outro.
Não perceberam que havia alguém insatisfeito com aquilo.
Olhos repletos de ódio, ele faria de tudo para separá-los. Sangue quente, mas agiria como uma cobra, ter sangue frio lhe seria mais útil. Tinha um plano, e menos de duas semanas para executá-lo.
Ela seria sua, nem que fosse por um dia. Louca obsessão.
Estava tudo muito perfeito, tudo muito em paz. E os dois nem imaginavam o que lhes aguardava...
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quarta-feira, março 10, 2010


O começo ( parte 1 )



 Quando se viram pela primeira vez foi como se algo explodisse dentro dos dois. Troca de olhares, sorrisos tímidos, mãos suando... Tudo durou apenas segundos. Ela foi pedir uma bebida, nunca achou que dançar fosse o seu forte. Ele continuou com seus amigos, acabara de chegar.
Noite de Natal, festa, férias, viagem, amigos reunidos, música, agito, curtição. Ao sair de casa ela não sabia como seria sua noite, a única coisa que tinha em mente era diversão. Mas depois daquela troca de olhares, algo ficou diferente, e ela podia sentir mesmo com o alcool começando a fazer efeito, ela era muito forte para bebidas.
A música tocava e ela só queria saber de dançar. Se ao menos tivesse escutado sua prima dizer que aquele era o garoto que ela esperava encontrar ali... Sim, ela já conhecia ele, mas nunca o tinha visto.
Virou-se bruscamente com o susto daquelas mãos quentes em seu ombro, sua pele era sempre mais fria que a das outras pessoas. Era ele.
- Por que ainda não falou comigo mocinha? -disse ele com um tom de ansiedade um pouco elevado.
-Ah... Oi! -respondeu ela, ainda sem jeito.
Foi só depois desse "oi" que ela entendeu... Era ele! Conversaram algumas vezes pela internet, moravam tão longe um do outro, e agora estavam tão perto. O coração dela estava descontrolado, ela nunca havia ficado tão nervosa, e isso a irritava, não era pra estar agindo daquela forma, queria estar naturalmente calma, mas não dava, não com ele.
- Você é ainda mais linda pessoalmente, Gabi! -ele disse com intusiasmo.
Ela mal conseguiu pronunciar um "obrigada", sentiu sua bochecha esquentar, estava vermelha.
Ele sorriu satisfeito, era essa a intenção, deixá-la envergonhada... Ele gostava dela desde antes de conhecê-la, mas ninguém sabia.
Voltaram a suas respectivas turmas, ela dançava mais ainda, queria tirar ele da cabeça. Nunca gostou muito de ficar vulnerável assim aos sentimentos. Beijou outro. Um menino lindo, mas não era ninguém, não era ele, beijo vazio.
Bebeu mais, dançou mais, e esperou...
Como num sonho bom, ele veio. Não perguntou nada, nem sequer reparou no cheiro de bebida. Olharam-se, dessa vez mais profundamente, e beijaram-se.
Ela já não ouvia mais a música, não via ninguém, só sentia...
Sentia o quanto a pele dele era macia, e quente, seu cheiro irresistível em um doce sutil, o beijo envolvente, seus cabelos molhados de dançar se entrelaçavam nos braços dele, mãos firmes e grandes, ele era forte e atraente em cada célula, estavam conectados.
Abraçaram-se e logo souberam que aquele seria o começo de tudo...
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